Furacão Irma: entenda a influência do aquecimento global nos fenômenos naturais

Rafa Barbosa

Nos últimos dias muito tem se falado dos estragos do Furacão Irma, nos Estados Unidos, mas por que o furacão atingiu uma intensidade tão alta? Há risco dele chegar ao Brasil? Questões como estas preocupam os brasileiros e por isso, a Nova Norte FM conversou com um especialista da Fundação de Ensino Superior de Bragança Paulista, a Fesb, para explicar o que é esse fenômeno.

O físico e professor dos cursos de Ciências Biológicas e Engenharia Agronômica da Fesb, Francisco Fambrini, explica o que provoca o furacão. “Os furacões são tempestades tropicais que se formam sempre no oceano. Em particular o furacão Irma é resultado da movimentação das águas no oceano Atlântico norte”, afirma.

Ao contrário do que muitas pessoas acreditam, a frequência dos furacões não têm aumentado, e sim, sua intensidade, como aponta o físico. “A frequência de furacões não aumentou, o que tem aumentado, na verdade, são as intensidades dos furacões, que está relacionada com as mudanças no clima da Terra, devido principalmente ao aquecimento global”, explica.

Outro tema bastante discutido é o aquecimento global e o efeito estufa, que para Fambrini está diretamente ligado à intensidade do furacão que tem atingido o estado da Flórida, nos Estados Unidos. O aquecimento consiste no aumento da temperatura da Terra, causada pelo efeito estufa, que proíbe a saída do calor da atmosfera, por conta da poluição, como conta o professor. “Da industrialização pra cá a humanidade tem queimado muitos combustíveis fósseis. A fumaça desta queima fica nas camadas mais altas da atmosfera, como se fosse uma película em volta do Planeta”, diz.

Para compreender melhor o que é o efeito estufa, Fambrini faz uma comparação à um carro. “Imagina um carro que você deixou o dia todo no sol com o vidro fechado. Os raios solares entram, esquentam o interior do carro, mas o vidro não deixa o calor sair. Com o efeito estufa é a mesma coisa: os raios solares penetram na atmosfera, mas a camada dos gases, que são resultados da emissão de poluentes da atividade humana, impedem o calor de sair, provocando o aquecimento global”.

Isso faz com que a temperatura das águas do oceano aumente, em particular as do Atlântico norte, tornando o furacão mais intenso e devastador. Mas o Irma pode chegar ao Brasil? O físico explica que não, pois “O furacão surge do encontro de uma massa de ar quente com uma massa de ar frio. É uma corrente de ar muito fria que vem do Polo Norte que se junta com uma corrente muito quente que vem do Caribe” e finaliza: “No Brasil, especificamente, é mais difícil porque nós estamos sujeitos a determinadas correntes marítimas que não favorecem a formação de furacões. Não é impossível, mas esse em particular, o Irma não vai nos atingir porque é um fenômeno típico do Atlântico norte”.

Os furacões são fenômenos naturais, portanto, ocorrem com frequência nas localidades mais propícias. O que tem se agravado é a intensidade, causando prejuízos ainda maiores e as atitudes humanas têm influência nisso, pois dificultam cada vez mais a liberação do calor.

“As indústrias precisam queimar carvão, combustíveis fósseis, petróleo, óleo diesel, nós dependemos disso, mas essa fumaça vai para a atmosfera e provoca o aquecimento. Isso é muito prejudicial. Não só em termos de furacão, mas para todo o bioma, toda a biosfera, ou seja, a própria vida na terra está ameaçada”, reforça o professor, que afirma que o uso de energias renováveis e não poluentes pode ser uma alternativa “Na medida que a sociedade for diminuindo as formas poluentes de geração de energia, nós podemos mudar esse quadro”.

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